By Daniel Jass
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Estava conversando com a Ane, enquanto estávamos indo para um de nossos últimos passeios de férias, e cheguei a essa conclusão: vivemos em uma sociedade umbigocêntrica, onde o mais importante, os interesses mais atendidos, a necessidades mais urgentes, são todos relativos a apenas uma coisa: nosso prórpio umbigo.
Lembro-me que antigamente haviam funcionários de empresas pequenas que eram tratados como se fossem parte da família. Meu pai manteve um escritório imobiliário durante décadas, e seus funcionários eram como tios e tias para mim! A fidelidade ao emprego, e a mantê-lo pelo resto da vida era uma virtude. Era. Não é mais! Hoje, se o seu emprego não atende seus interesses, desculpado por pretenções salariais ou por uma imcompatibilidade com o processo produtivo da empresa, você pede as contas. Ou então faz melhor… faz com que seu chefe te mande embora, pra ainda receber seguro desemprego, entre outros. Ser mandado embora não é mais sinal de falta de competência. Não é mais uma vergonha… é um ‘macete social’! Se o emprego não agrada seu umbigo, você parte pra outro! Umbigocentrismo!
A igreja é considerada um ajuntamento social! Como todo ajuntamento possui vários subgrupos. E você certamente vai encontrar um que satisfaça suas necessidades e anseios. Amigos que se tornem mais chegados que irmãos. Aqueles vips do Orkut e Facebook, que você vai manter contato mesmo quando o ponto de partida, a igreja, não for mais tão interessante assim!!! Mas, se por um desentendimento qualquer, ou por simples falta de adequação o grupo social, ou a própria igreja, não atendem mais, deixam de ser ideias, é simples… há tantas outras igrejas… essa é apenas mais uma parte do corpo, e a parte principal do meu corpo vai ser atendida: umbigocentrismo!
A cerimônia é linda! Os gastos astronômicos! Os convidados todos acreditam que ‘esse casal vai longe, têm tanto em comum…’ Até que o preletor termina os votos finais: “Até que a morte os separe! Ou que o cotidiano os alcance, e os canse! Ou que os problemas lhes abram os olhos que há outras possibilidades mundo afora!” Esses são os verdadeiros votos de casamento, secretamente feitos, mas abertamente comentados e relatados nas esquinas, bancas de jornais, cenas de filmes e novelas, dessa nossa sociedade atual: umbigocêntrica!
Acredito que o que enxergamos hoje é uma sociedade que tem se moldado a indivíduos despreparados e inflexíveis, e não são os indivíduos que estão se preparando, se adaptando, se moldando a uma sociedade em constante transformação! E o grande problema é que, como diria Rodolfo Abrantes, “Inflexível quebra fácil!”
Não questiono aqui se devemos, ou não, manter o mesmo emprego para o resto da vida. Acredito que temos dons e talentos que podem e devem ser explorados até sua máxima potencialidade. Nem me pergunto se pertencer a uma mesma igreja por décadas é o caminho para uma religiosidade sadia! Na verdade acredito que não, o caminho é Cristo! E sim, acredito no casamento até que a morte os separe! É difícil de debater essa posição, pois há tanto a se questionar! Mas é aí que mora o cerne da questão: havendo ou não questões, contravenções, dúvidas, e incertezas, a fé baseia-se em acreditar, crer! Creio que o casamento é pra sempre! Que os dilúvios passam! Que os problemas profissionais serão contornados! Que nenhuma igreja é perfeita, mas Cristo o é! A conversão que precisamos hoje é a volta ao cristocentrismo porque “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” [2 Cor. 4:17]
Quero, almejo, que hoje, antes de qualquer mudança, decisão, ou inclinação nas mais diversas áreas da minha vida, eu enxergue se o ponto central é realmente imprescindível e divinamente inspirado, ou se não estou apenas satisfazendo meu umbigo, meu tolo e enganoso coração!